MINDFULNESS É BOM PARA O AMBIENTE DE TRABALHO?

Segundo o site da Society for Human Resource Management existe uma resposta SIM e outra NÃO para esta pergunta. Aqui vai um breve resumo do post original (em inglês).

 

Para Pandit Dasa e resposta é SIM, sabemos que mindfulness é bom para as empresas

Um em cada 3 americanos empregados relatam alto estresse no trabalho, de acordo com a Pesquisa de Trabalho e Bem-Estar da Associação Americana de Psicologia de 2016. O estresse no local de trabalho está custando às empresas americanas bilhões de dólares.
Muitas empresas, incluindo o Google, a JPMorgan Chase & Co., a General Mills Inc., o Bank of America, Aetna Inc. e a Intel Corp., estão usando a atenção plena para criar um ambiente de trabalho mais positivo e harmonioso – o que pode se traduzir em tangíveis benefícios para as empresas.
 
Depois de um acidente de esqui que custou uma fratura de pescoço , o CEO da Aetna, Mark Bertolini, incorporou yoga e meditação em sua rotina de bem-estar. Ele achou tão benéfico que ofereceu sessões para funcionários de sua empresa, e mais de 13 mil aderiram. Os participantes relataram, em média, uma redução de 28% nos níveis de estresse, uma melhoria de 20% na qualidade do sono e uma diminuição de 19% da dor. Os trabalhadores também ganharam uma média de 62 minutos de produtividade por semana, que a Aetna estima valer US$ 3.000 por empregado/ano.
 
De acordo com o artigo de dezembro de 2015 publicado na Harvard Business Review entitulado “Como a meditação beneficia os CEOs”, a atenção plena também pode aumentar a inteligência emocional. O CEO da Sattva, Archana Patchirajan e outros altos executivos, afirmaram que mindfulness os tornou mais pacientes e com melhor manejo sobre as emoções.
 
Há ampla pesquisa e testemunho pessoal que demostram como o treinamento de atenção plena pode beneficiar funcionários e equipes. Também, indústrias e empresas em áreas como finanças, seguros, educação, governo e TI, estão alavancando mindfulness para criar uma cultura mais positiva, com funcionários mais felizes e saudáveis.

Pandit Dasa is an inspirational speaker, meditation teacher and well-being expert who conducts stress management workshops at major corporations. He is the founder of Conscious Living LLC and author of Urban Monk (Conscious Living, 2013).

 
 

Para David Brendel a resposta é NÃO, não temos evidência de que mindfulness é bom para empresas

 
O crescimento extraordinário do mindfulness em settings corporativos nos últimos anos é perturbador e injustificado, dada a escassez de evidências claras e convincentes de que tais programas impulsionam o crescimento do negócio. De fato, em muitos casos, a aplicação de estratégias de atenção plena no trabalho pode ser contraproducente, mesmo quando aplicadas por especialistas credenciados.
 
O treinamento de atenção plena nos locais de trabalho apresenta evidências preliminares de benefícios, na melhor das hipóteses. Um estudo sugeriu que o aprendizado de exercícios de meditação de atenção plena “pode gerar mudanças positivas nas práticas virtuais de multitarefa”. Porém, como a maioria dos estudos deste tipo, não há um exame, nem confirmação, de quaisquer benefícios resultantes no mundo real. Há também dados empíricos escassos que indicam que as práticas de atenção plena melhoram outras habilidades essenciais de negócios, como o raciocínio crítico.
 
O entusiasmo injustificado por mindfulness elevou a prática, em algumas configurações, para status de culto, o que cria um risco de pensamento grupal e conformidade social. Eu encontrei várias situações corporativas nas quais os líderes da equipe facilitaram reuniões obrigatórias que começaram com sessões de meditação. Alguns participantes me disseram que se sentiram coagidos a participar, com medo de julgamento negativo se não se comportassem como “parte da equipe”. Se oferecidos em locais de trabalho, as experiências de atenção plena sempre devem ser voluntárias e devemos respeitar as preferências pessoais.
 
Mindfulness não deve ser visto somente como um “mindset de performance” ou algo para reduzir o estresse. Os líderes de empresas devem pensar além da tendência comercial e adotar uma abordagem multifacetada para reduzir o estresse dos funcionários, promovendo culturas de trabalho positivas com forte conexão social e considerando horas de trabalho flexíveis, assim como mais tempo de férias, programas aprimorados de assistência aos funcionários, treinamento gerencial e até coaching executivo.
 
Devemos considerar mindfulness como um dos componentes possíveis dentro de um modelo abrangente de gerenciamento de estresse e bem-estar. Uma visão equilibrada dos riscos, benefícios e complexidades da atenção plena pode nos capacitar mplementá-lo de maneira cuidadosa, focada e efetiva.

David Brendel is a psychiatrist and the founder and director of Leading Minds Executive Coaching LLC in Boston. He is also a partner at Camden Consulting Group and co-founder of Strategy of Mind LLC.                    

 
Traduzido por Tiago Tatton

Um comentário em “MINDFULNESS É BOM PARA O AMBIENTE DE TRABALHO?

  1. Mais importante do que saber se as práticas de mindfulness são boas para as empresas, é saber se são boas a partir do ponto de vista do funcionário. Vejo sempre um risco em iniciativas que buscam levar as pessoas a tolerarem maiores níveis de estresse, sem questionamento dos contextos e condições no ambiente de trabalho que ocasionam esse alto estresse.

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